Aula 23-09

Pai Nosso
“Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora ao teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.” Mateus 6.6-13

A lição de hoje tem como base de estudo a oração do Pai Nosso, um modelo simples e objetivo de como deve ser nosso contato com Deus. Em uma época em que havia uma tendência a orações carregadas de soberba e outras coisas mais, Jesus aparece para simplificar esse ato. Hoje em dia não vemos um cenário tão parecido, é claro que ainda existem pessoas que gostam de chamar a atenção para si através da oração, fazem aquelas orações cheias de pompa, quando na verdade seu coração está longe.
É o famoso “Denorex”, quem foi dos anos 80, lembra. Parece, mas não é. E por mais que muitos crentes tentem disfarçar a santidade, um dia a mascara cai.
Esta oração tem seguido de modelo para muitos crentes no mundo, algumas religiões, como o catolicismo a utilizam literalmente como penitência, mas o “Pai nosso” é antes de tudo, um ensinamento de como deve ser o nosso proceder na oração.

Oração: Vista ou ouvida? (Mateus 6.6)
A revista nos chama a atenção para um fato que não tinha percebido. Embora o nosso ato neste texto esteja relacionado a oração, ou seja, uma conversa com Deus, a continuação diz que “O Pai que nos VÊ em secreto, nos recompensará”, não é “O Pai que nos OUVE em secreto”, mas o que nos vê. Isso mostra a importância da nossa atitude de oração. Como tem sido sua atitude de oração, tem sido um cumprimento de um dever, ou seu coração deseja falar com Deus? A oração não é um telefonema para Deus, Ele está nos vendo, você consegue conversar com alguém por telefone e até disfarçar sua intenção, mas ao vivo fica bem mais difícil. Lembro que há muitos anos atrás eu orava antes de dormir, deitado e caia no sono durante a oração, quando acordava no outro dia, dizia amém. Atitude errada. Tem gente que ora com a TV ligada, tem gente que ora rápido porque tem que correr para fazer alguma coisa. Não adianta disfarçar, Deus vê.

Todas as vezes que leio este texto, também me lembro da música do Gilberto Gil “Se eu quiser falar com Deus”, alguém já ouviu? Eu ontem entrei em um site que discute o significado das letras das músicas, onde a pessoa entra e dá sua opinião sobre o que o autor quis dizer na letra. Foi bem curioso ver o que as pessoas diziam, mas a maioria tinha a mesma ideia. Para se falar com Deus, é preciso se desprender das coisas materiais, esquecer-se do corre-corre, ser humilde, ter fé, estar pronto para o novo e embora esteja em uma situação terrível, se alegrar nEle. Uma inspiração essa música, segue a letra.

Se Eu Quiser Falar Com Deus

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nós
Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que aceitar a dor
Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou
Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão
Dos palácios, dos castelos
Suntuosos do meu sonho
Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E apesar de um mal tamanho
Alegrar meu coração

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar
Tenho que subir aos céus
Sem cordas pra segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Do que eu pensava encontrar

A nossa oração tem de ser um contato intimo com nosso Deus, este contato deve ser motivado pelo nosso desejo de estar com Ele. Os fariseus, no passado oravam nas praças, em voz alta, para que as pessoas tivessem uma visão de santidade daqueles homens e como falei no início, ainda vemos pessoas que de forma soberba oram, louvam, cantam, pregam, falam, agem e isso é terrível, chega a ser feio, eu fico sem graça, quando vejo alguém no culto fingindo ser o que não é.

Para que a nossa oração tenha efeito, é preciso que nossas atitudes correspondam.

Oração: Sua objetividade e presteza (Mateus 6.7)
Chegamos ao modelo, pelo menos esta oração é considerada modelo por muitas pessoas no mundo, Jesus nesta oração consegue ser preciso como um cirurgião, ele fala o necessário, sem embromações e nos dá uma aula de vida cristã.
Deus conhece o nosso coração como ninguém, sabe até do sentimento que teremos no futuro, antes da palavra chegar a boca, Ele conhece, para que então embromar? A revista até nos fala do Pastor Miranda Pinto que era objetivo na oração. “Senhor, obrigado por esse feijão”.
Não é por vãs repetições que conseguiremos as coisas, talvez você consiga até de alguém (como eu sempre conseguia dinheiro da minha mãe, quando era criança, porque eu pedia e repetia e repetia muitas vezes até ela não aguentar mais e atender), mas com Deus a história é outra. Eu acho terrível quando uma pessoa não consegue sintetizar o que diz, dá uma volta tremenda para chegar no ponto, o famosos “Encher linguiça”, não cabe nas orações.

Oração: Recebendo o que Deus concede (Mateus 6.8)
Ainda neste texto Jesus nos instrui a não utilizarmos as repetições, como os outros usavam por falta de conhecimento de Deus. Não sei exatamente o quanto você conhece de Deus, mas entenda que Ele não quer que você seja como um CD arranhado que repete e repete. Ele conhece você e sabe o que é melhor para sua vida. Ser preciso no seu pedido é também confiar nos designíos de Deus, é entender que o Caminho dEle é o melhor.

Irmãos, é muito difícil você aguardar, normalmente temos muita pressa e esperar que Deus atenda ao nosso pedido é complicado demais. As vezes planejamos coisas tremendas e as coisas não ocorrem da forma como queremos. Começamos a orar em um sentido e o tempo vai passando, nada indica que nosso pedido vai ser atendido. Na verdade, as coisas acabam indicando é que não vai ser atendido mesmo, talvez até para que desistamos, mas é importante continuarmos perseverante, confiantes e descansando em Deus. Temos que agradecer a Deus pelos desafios, as dificuldades, pois são nelas que tornamos melhores.

Oração: Como iniciar (Mateus 6.9)
Como começar a falar com Deus? Jesus utilizou uma forma muito simples “Pai”. Eu lembro de um ex-colega de trabalho que foi de testemunha para uma audiência trabalhista para um conhecido seu que não tinha muito estudo. Ele disse que em certo momento, esse rapaz, meio sem saber, chamou a juíza de “vossa ignorância”. Ele começou a rir e quase que vai preso. As vezes não sabemos como tratar Deus, mas o que vejo é que a maioria das pessoas toma um modelo como padrão. O jeito certo é iniciar com o coração aberto, chamando de Pai, Paizinho, Senhor, meu Deus, isso não importa.

Mais importante do que a expressão que usaremos para falar com Deus, é o modo que chegaremos até Deus. Nosso sentimento para com Deus. Não adianta chegar e dizer:

• “Oh onisciente e todo o poderoso, rei do universo. Tu que habitas entre os querubins, Deus da eternidade, me faz ganhar na loteria.”
• “Oh Deus de Abrão, de Isaque e Jacó, Tu que eras antes da criação do mundo, Tu que és grande como o universo destrua esses servos de satanás que ouvem música no último volume.”
• “Oh Pai celestial, Tu que tens uma grandeza incomparável, tu que és o alfa e ômega, princípio e fim de todas as coisas, tira o pastor da nossa igreja porque ele me repreendeu.”

É errado usar estas expressões? Não, mas quando elas vêm acompanhadas de sentimentos contrários a fé cristã, não dá.

Oração: Não só pedir, mas honrar ao Senhor (Mateus 6.10)
Quantas vezes nas aulas falamos sobre isso aqui, da importância de não só pedir, mas exercitar o agradecer, a confissão, a intercessão. Fizemos até uma dinâmica, tudo isso com a intenção de percebermos que devemos ajustar a nossa oração de forma correta. É complicado para Deus agir quando só pensamos em nós mesmos, a essência da vida cristã é além do amor a Deus, o amor ao próximo e como podemos esquecer de orar pelos outros se esse é um dos principais mandamentos? Não podemos tratar Deus como um serviço de fast food. “Senhor, eu quero um X-tudo com maionese, alface, sem mostarda e sem batata palha, Ah! E é para viagem.”

Samuel e Isaías foram na contramão do que vemos por aí. Sua orações foram “Fala, Senhor, que teu servo ouve… Eis-me aqui, Senhor. Envia-me a mim…” Chega de orações do só “eu”. Em vez de impor a Deus o seu querer, por que não se colocar ao querer e a vontade de Deus?

Oração: A dependência diária (Mateus 6.11)
Sempre imaginei que essa parte da oração relacionava-se apenas ao alimento físico, mas relaciona-se também ao alimento espiritual. Nela vemos o envolvimento da dependência de Deus, que precisamos buscar nele o nosso suprimento físico e espiritual. As vezes nossa oração está relacionada ao alimento físico (bem material) e nem pedirmos pelo espiritual. Pedimos a Deus, uma casa maior, um carro melhor, um salário maior, prosperidade financeira e não pedimos a Deus que nos use na sua obra, que evangelizemos mais, que tenha mais cultos.

No deserto o cuidado de Deus era diário, não adiantava guardar o maná, pois no outro dia se estragava, dependência de Deus é isso. É ter fé na sua resposta, no seu cuidado. É fácil? Não, mas é preciso confiar em Deus, mesmo quando as coisas não parecem acontecer, isso tem sido um desafio para mim, mas uma coisa eu sei. Em todos estes anos, ainda Deus não falhou comigo, em toda a bíblia não há relato de Deus falhando com o homem, portanto, vou continuar confiando e vivendo na sua dependência.

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